sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Para Refletir


“No primeiro nível o mundo virtual é um destino redentor porque é para ele que podemos fugir, agora mesmo, das aflições mais imediatas da existência. Se a experiência cotidiana nos derruba e oprime, no abrigo da internet podemos ser finalmente quem somos, livres das limitações e constrangimentos da vida real.
Na internet ninguém precisa envelhecer, e você pode usar para identificar o seu perfil aquela foto boa de 2002. Os relacionamentos virtuais dispensam os embaraços, cheiros, ruídos e usanças da vida real: você não precisa fechar a porta do banheiro, pode sair da conversa tão repentinamente quanto quiser, é livre para deixar a escova de dentes em cima da pia, tem autonomia para descartar um parceiro em favor de outro sem precisar mover-se da cadeira.
No oásis do ciberespaço alguém está sempre pronto pra te entender e pra te desejar: aqui você encontra gente apaixonada por aqueles assuntos interessantes que sua família e seus amigos insistem em ignorar, e acha estímulo e vazão para todas as suas imaginações sexuais.
Resistir é inútil: estar sozinho com a internet é ter toda a companhia e todo o conforto que alguém pode desejar. Ninguém na sua casa te entende, mas @pikachu1981 quer te levar para a cama. Você pode se sentir solitário, mas o Matheus Feltrinelli acaba de visitar o seu perfil no Facebook. As raposas tem suas tocas e as aves tem seus ninhos, mas aqui você tem onde reclinar a cabeça. A Terra pode estar encolhendo, mas o universo da internet está em permanente expansão, e só estamos contemplando os primeiros segundos de seu irresistível Big Bang.
Este domínio de plenitude e de realização, que está em todo lugar estando em lugar nenhum, é o céu do terceiro milênio. E, com um novo céu desses, quem precisa de uma nova terra?”
Paulo Brabo

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