A casa
Aquele lugar trazia-lhe muitas recordações. A casa era pequenina, porém, enorme saudade queimava-lhe o peito. Quantos segredos encerravam aquelas paredes? Recolheu uma lágrima que teimava em escorrer pelo seu rosto. Por que estava ali, naquele lugar que evocava tantas lembranças?
Esta pergunta não lhe saía da cabeça desde que pegara seu carro e partira para S. James. Fazia muito tempo que para ali não se dirigia. Talvez, querendo fugir de suas amargas lembranças.
Como fui feliz aqui, pensou alto. Sua voz ecoou através das paredes úmidas e empoeiradas. Fez-se um eco e sua fala replicou na imensidão do silêncio.
Ouviu passos. Quem poderia estar ali? Há muito, a casa estava fechada. Desde que se separara de Peter. Sua voz soou vacilante: Quem está aí? Tem alguém? Não encontrou resposta. Apenas o som de suas próprias palavras.
Sammy deu alguns passos em direção à porta. Já começava a ficar com receio de que alguém a tivesse seguido.
O vento soprou forte.O barulho das folhas se escutava ao longe e seu movimento constante dava-lhe pavor. Foi quando percebeu uma sombra passar pelo hall de entrada. Novamente sua voz se fez ouvir, agora mais firme: Olá! Há alguém? Quem está aí?
Mal se virou, pôde avistá-lo. Que susto! O que você está fazendo aqui?
Perguntou com o rosto totalmente enrubescido.
Peter a fitou com um olhar expressivo. Após, balbuciou com uma
voz rouca. Quanto tempo, Sammy, como vai?
Ela gaguejou e respondeu-lhe num sussurro. Eu, eu, eu estou bem. E, você, o que faz aqui?
Peter se aproximou, saindo da penumbra, e ela viu o quanto ele continuava belo. Creio que viemos pelo mesmo motivo, não?
Sammy, não entendo o por quê nos afastamos um do outro. Você se foi sem nem ao menos deixar-me explicar o que aconteceu.
Falou, puxando-a para si, e afagando seus cabelos sedosos.
Seus olhos brilhavam e demoradamente fixou os de Sammy que não podia mais conter as lágrimas.
Os dois se abraçaram e o que se seguiu foi um beijo ardente.
Um turbilhão de emoções tomou conta deles e por um instante Sammy contemplou aquele rosto cheio de ternura e finalmente, respirou profundamente e então lhe disse:
Peter, durante todos estes anos confesso que tentei esquecê-lo. Tudo em vão! Retornava aqui, a fim de reviver os momentos maravilhosos que passamos juntos. Meu amor por você nunca acabou.
Entretanto, já passaram tantos anos. O que importa, agora?
Minha Princesa! Disse, aconchegando-a em seus braços.
Eu nunca a esqueci! Desejei de todas as formas e maneiras encontrar-lhe, para contar-lhe tudo, mas você simplesmente sumiu.
Ninguém sabia onde se encontrava. Fiquei louco à sua procura. O que fez do nosso amor?
Sammy fitava-o e via em seus olhos um sentimento sincero. Mas, então... Quem era aquela mulher que encontrei com você naquela estação de trem? Não era sua amante? Fugi decepcionada e jurei nunca mais querer vê-lo na minha frente.
Minha Querida, pronunciou Peter emocionado.
Naquele dia, pensei em lhe fazer uma surpresa. Havia recebido um telefonema de minha irmã, Loren, que chegaria de viagem, naquela tarde. Nunca lhe falei dela, pois prometi antes de sua partida, não dizer a ninguém seu paradeiro. Loren sofreu muito nas mãos de seu ex-marido, que a maltratou e após feri-la quase que mortalmente, foi julgado e sentenciado à prisão. Durante todos estes anos, Loren fez-me dizer a todos que estava morta, temendo que Paul descobrisse seu paradeiro e a mandasse matar. Só quando soubemos da sua morte, na prisão é, que a trouxemos de volta. Justamente, naquele dia, Loren chegou e você nos viu juntos. Quando saiu correndo, daquele jeito, senti que a tinha perdido para sempre.
Sammy ouvia tudo, calada. Apenas se ouvia as batidas descompassadas de seu coração.
Seus olhos se encontraram repletos de ternura.
Oh! Querido! Perdoe-me. Fui uma tola, durante todo esse tempo achando que havia me esquecido e estava feliz ao lado daquela mulher.
Beijaram-se mais uma vez, um beijo arrebatador, cheio de paixão.
E foi assim que aquela casa, abandonada, testemunhou o reencontro de duas vidas que nasceram para o amor.
(Marize Martins)
Nenhum comentário:
Postar um comentário